O mundo convive atônito com um dos maiores desafios já enfrentados, de forma simultânea por todos os países. A pandemia do COVID-19.Com a atividade econômica quase que totalmente paralisada, fruto da necessidade de implementação de um processo de “distanciamento social” e uma forte restrição a circulação de pessoas, gerando um impacto fortíssimo na oferta e na demanda, na ponta do consumo. Com varejo sobre forte restrição operacional e os consumidores orientados a ficarem em casa, a paralisação dos negócios foi sentida, em todos os segmentos.

O resultado é um efeito em cascata, nas cadeias de suprimentos que necessitarão realizar um forte ajuste, para adequar operações e fluxo de caixa, a um momento de incerteza, cujos efeitos poderão se prolongar por muitos meses.

Independentemente do tamanho do negócio, empresários e executivos precisam direcionar seus esforços em três direções: proteção de caixa, proteção de custos e garantir suprimentos(1).

Neste cenário, a gestão de fornecedores que sempre foi uma ferramenta fundamental na administração da cadeia de suprimentos, passa a ter maior importância, para que as organizações possam garantir o atingimento dos três objetivos citados no parágrafo anterior. É preciso que os atores da cadeia busquem uma atuação conjunta, objetivando proteger a todos, de forma a evitar a quebradeira, principalmente dos mais fracos.

Em seu artigo Cotias sugere uma atenção especial atenção a dois pontos relativos aos fornecedores.

  1. Avaliação do perfil de fornecedores da empresa e a sua exposição/dependência
  2. Monitorar a saúde dos seus fornecedores

Enquanto Miguel(2), destaca a importância de que as ações no âmbito da cadeia de suprimentos sejam focadas no longo prazo, pois de nada adianta a parte mais forte, normalmente a contratante, exercer seu poder de barganha, exaurindo a parte mais fraca, obtendo um resultado momentâneo, que trará consequências, na retomada do processo de recuperação econômica, quando poderá não haver fornecedores disponíveis, seja pela inexistência, devido a “morte”, causada pela asfixia financeira, das negociações brutais ou mesmo porque ressentido o elo mais fraco tenha prospectado novas clientes e mercados.

Em resumo, empresas compradoras e fornecedores devem buscar soluções de curto prazo, que garantam a sobrevivência de seus negócios, sem esquecer de que, não importa quanto tempo leve, haverá um amanhã e será necessária uma cadeia de suprimentos forte, para garantir a retomada dos negócios. É preciso ter em mente que as ações tomadas agora serão fundamentais para o futuro das organizações e dos negócios. Repensar os modelos de negócios e, principalmente, reconfigurar as cadeias de suprimentos, com uma principal atenção ao relacionamento com os fornecedores, são o caminho para o sucesso.

 

Fonte:

  1. COTIAS, Anderson. IMPACTOS DO COVID-19 NA CADEIA DE SUPRIMENTOS GLOBAL. Disponível em: https://www.linkedin.com/pulse/impactos-do-covid-19-na-cadeia-de-suprimentos-global-anderson-cotias?lipi=urn%3Ali%3Apage%3Ad_flagship3_profile_view_base_recent_activity_details_shares%3B7bUEVGIfTH2CM0qBTBgQ5Q%3D%3D&licu=urn%3Ali%3Acontrol%3Ad_flagship3_profile_view_base_recent_activity_details_shares-article_description.
  2. MIGUEL, Priscila L. de Souza. OS EFEITOS EM CASCATA DA COVID-19 NAS CADEIAS PRODUTIVAS. https://politica.estadao.com.br/blogs/gestao-politica-e-sociedade/os-efeitos-em-cascata-da-covid-19-nas-cadeias-produtivas/. Acessado em 14/04/2020.