A gestão dos resíduos sólidos é um tema importantíssimo para a sociedade. No Brasil, é objeto de legislação específica (Lei Federal 12.305/2010), conhecida como Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS.

Em seu artigo nove a lei 12.305 traz a definição da ordem de prioridade para o gerenciamento de resíduos:

  1. Não geração
  2. Redução
  3. Reutilização
  4. Reciclagem
  5. Tratamento
  6. Destinação final adequada

Ou seja, até que nos preocupemos com a destinação adequada dos resíduos, temos outras opções a serem analisadas e implementadas.

Mas, o que vemos na prática é uma indução a discussão, centrada nas prioridades 3 a 6, pouco se falando da redução e não geração de resíduos.

É um erro recorrente, a geração de resíduos e sua destinação final, mesmo que em condições técnicas adequadas, desconsiderando as demais prioridades, notadamente a de número um e dois.

O problema das embalagens

Conforme registrei em post anterior, no LINKEDIN1, recentemente, acompanhei as etapas operacionais do transporte de utensílios domésticos, entre duas unidades habitacionais, em São Paulo.

O fator marcante nesta experiência foi a geração de resíduos. A quantidade de caixas de papelão e plástico de embalagem (plástico bolha) utilizados e ao final do processo descartados, pelo cliente, foi absurda.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA, divulgou estudo demonstrando o impacto ambiental gerado pelo comércio eletrônico, cujo fator principal está na geração de lixo, através das embalagens utilizadas no processo. Mais de 1 milhão de embalagens foram jogadas fora por dia em dezembro de 2019. No total, quase 1 bilhão de árvores foram cortadas para atender às demandas de embalagens de papelão para os 165 bilhões de pacotes enviados em 2017 no mundo, ressalta o estudo2.

No Natal passado, recebi um calçado de presente e, novamente, a embalagem do processo comercial me chamou a atenção. O varejista utilizou um saco de pano (que serve para guardar o produto em casa), uma caixa e uma sacola de papelão, todos com logotipo da empresa. A caixa e a sacola acabaram indo para o descarte.

Os exemplos citados acima chamam a atenção para um problema, que empresas e consumidores não têm dado importância, apesar de seu alto impacto ambiental. A geração de resíduos com as embalagens utilizadas, nas diversas etapas do processo comercial.

Apesar dos esforços desenvolvidos, nos últimos anos, no tocante a destinação de materiais, quando falamos de embalagens, percebemos que os esforços estão concentrados, em alguns mercados específicos, como as de produtos tóxicos, as plásticas (notadamente as produzidas a base de PET). Porém, poucas ações são vistas para as demais embalagens utilizadas, nos processos comerciais, diariamente.

Um problema de foco

O problema da geração de resíduos pelas embalagens abrange os processos produtivos de serviços (como destacado exemplo do transporte de utensílios domésticos) e bens, atravessando toda a cadeia de valor dos negócios, pois desde a geração das matérias primas até a entrega dos produtos (bens ou serviços) ao consumidor final, é gerado um grande volume de resíduos.

O problema reside no fato de que esforços e preocupações estão direcionadas para o produto final, sendo a embalagem vista como uma peça do relacionamento com o cliente ou como um elemento de segurança/proteção do produto.

Do ponto de vista das empresas é fundamental incluir as embalagens (de toda a cadeia), nos processos de revisão de designer de produtos e cadeias de suprimentos, objetivando reduzir o volume e o tipo de material utilizados, ao longo de toda a cadeia.

Já os consumidores precisam rever seu modelo de consumo, exigindo, principalmente dos varejistas, uma radical diminuição no número e tipo de embalagens utilizadas, no processo de comercialização, na ponta final da cadeia de valor.

Uma meta de sobrevivência

Muitos enxergam a redução ou eliminação de resíduos gerados, nas cadeias produtivas, como uma utopia, mas ela deve ser vista como uma meta de sobrevivência da sociedade, pois, sem sua eliminação, os sistemas de disposição tendem a entrar em colapso, exigindo níveis de investimento cada vez maiores.

É importante entendermos que resíduo é um problema de todos e que não existe “jogar fora”, pois o planeta é finito e tudo fica em seu interior.

É importante que haja uma tomada de consciência da responsabilidade de cada um de nós, neste processo(3).

OBS: Imagem destacada fonte: PIXABAY
Fonte:
  1. https://www.linkedin.com/posts/wladimirsalles_resaedduossolidos-transporte-gestaoderesiduos-activity-6613552283303071745-Ax5q
  2. https://nacoesunidas.org/pnuma-propoe-solucoes-para-reduzir-impacto-ambiental-do-comercio-eletronico/
  3. RESÍDUOS SÓLIDOS COMO GERENCIAR? Disponível em: https://youtu.be/VT1Kze2QxyA