A feira livre é uma manifestação da cultura brasileira, onde interagem diversos personagens, como: vendedores, compradores, transeuntes e ambulantes.

As feiras livres ainda possuem seus encantos, visto que ainda sobreviveram mesmo após o surgimento dos supermercados, enquanto algumas demonstram-se enfraquecidas, outras permanecem fortes e com movimento indicativo de autossuficiência econômica, inclusive tornando-se evento turístico, voltando a reforçar a importância sociocultural da feira livre no Brasil.

A feira livre pode se transformar, adequar-se aos novos tempos, devendo manter sua tradição e prestígio de sua identidade, preservando assim sua tradição popular urbana, mantendo ainda viva a necessidade da relação humanizada, a importância social de seus aspectos como uma manifestação da cultura brasileira e sua diversidade, que deve de alguma forma ser preservada(1).

Projeto piloto da Prefeitura de São Paulo objetiva tornar as feiras livres mais sustentáveis(2), através da implementação de um processo de gestão dos resíduos gerados, nas próprias feiras e utilizando os espaços como pontos de coleta de resíduos sólidos, onde os paulistanos poderão entregar materiais para reciclagem, por exemplo.

Trata-se de uma iniciativa pioneira e um novo olhar sobre este “personagem” da história das cidades brasileiras, chamado feira livre.

A gestão de resíduos sólidos urbanos é um problema com curva de crescimento e de custo, em constante expansão. A coleta domiciliar, a destinação e o tratamento dos resíduos, compõem um processo oneroso, para as gestões municipais.

Infelizmente, falta conscientização a sociedade sobre a destinação dos resíduos gerados, nos lares ou em atividades diversas. Tomemos como exemplo o coco. Quantos de nós já tivemos a curiosidade de saber a destinação dada ao coco verde, após a retirada da água.

Segundo dados do projeto da Prefeitura de São Paulo, uma feira livre chega a gerar até cem quilos de resíduos de coco verde. Este material leva até oito anos para total decomposição, se encaminhado para aterros sanitários. Mas, se ao invés disto for triturado e passar por um processo de compostagem, poderá virar adubo.

A separação dos resíduos é o primeiro passo para uma gestão eficaz, pois permite efetuar a valorização dos materiais, diminuindo a quantidade de rejeitos destinados aos aterros sanitários. Dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais – ABRELPE, apontam que no ano de 2016, o volume de resíduos descartados foi de 41,7 milhões de toneladas, cujo custo de tratamento é estimado em 14 bilhões de Reais(3).

A política Nacional de Resíduos Sólidos – PRNS preconiza a valorização dos resíduos, como a premissa da gestão dos resíduos. Esta valorização pode ser feita através:

  1. Reutilização
  2. Reciclagem
  3. Compostagem
  4. Valorização energética
  5. Comercialização

É preciso ressaltar que a destinação de resíduos para aterros sanitários, além de gerar custos altíssimos e problemas ambientais, está também associada a problemas de saúde humana, como por exemplo a ZIKA.

Buscar alternativas, como as do projeto em implementação, em São Paulo é parte importante da busca de solução, para um problema que impacta a vida de todos nós. Mas, somente com a conscientização da importância de mudarmos nossos hábitos de consumos e postura diante do “lixo”, é que poderemos pensar em melhoras no quadro desolador que temos no Brasil.

Fonte:

  1. https://pt.wikipedia.org/wiki/Feira_livre
  2. https://tvuol.uol.com.br/video/novo-projeto-quer-deixar-feiras-livres-mais-sustentaveis-04020C193366E4B16326.pt.wikipedia.org/wiki/Feira_livre
  3. https://blog.brpolen.com.br/novo-ebook-gratuito-5-metodos-para-a-valorizacao-de-residuos/