Na semana passada entrou em vigor, no Rio de Janeiro, a lei 8006/18, que proíbe o fornecimento de sacolas plásticas não recicláveis, pelos supermercados.

De autoria do deputado estadual Carlos Minc (PSB-RJ), a lei obriga a substituição das sacolas de plástico por bolsas feitas com materiais sustentáveis e biodegradáveis(1) e pretende, segundo a ASSERJ – Associação dos Supermercados do Estado Rio de Janeiro, ser mais uma alternativa para auxiliar na redução do número de sacolas plásticas descartadas, ajudando na preservação do meio ambiente.

O assunto demonstrou ser bastante controverso, com boa parte da população demonstrando sua insatisfação, com a determinação de que findo o período de dois meses os varejistas passarão a cobrar, cerca de R$ 0,08/por unidade, o fornecimento de todas as sacolas substitutas (nos primeiros 60 dias, o consumidor terá direito a 02 unidades grátis).

Um artigo da jornalista Leda Nagle intitulado “Me Engana Que Eu Gosto”, no qual ela indaga o porquê de ser justamente a sacola plástica objeto de uma lei específica, quando a quantidade de plásticos que utilizamos todos os dias, em forma de embalagem, é enorme, teve ampla divulgação nas mídias sociais. Ainda por cima com a possibilidade de cobrança pelo uso das sacolas.

Apesar de ser entendível, é uma pena que a discussão sobre o tema tenha sido centrada, no aspecto financeiro, em função da introdução da cobrança pelo fornecimento das novas sacolas, pois perdemos uma grande oportunidade de fazermos uma ampla discussão sobre a utilização do plástico, em nosso dia a dia.

O plástico em nossa vida

O plástico é uma matéria-prima, mais nova que o vidro e o papel, produzido a partir de processos petroquímicos, cujas principais características são a adequação ao processo de moldagem e a manutenção da forma adquirida, ao final do processo. Criado no início do século XX, teve sua utilização incrementada a partir de 1920.

O mundo moderno está cada vez mais em busca de velocidade e praticidade, o que torna o plástico indispensável na atualidade, que atua de forma dinâmica e eficaz em todos os setores da sociedade. Seja na medicina, em eletrodomésticos ou em produtos de engenharia, ele está presente. Segundo o SIMPEP – Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado do Paraná acredita que não é possível simplesmente querer abolir o plástico de nossas vidas, seria um retrocesso de no mínimo 100 anos(2),

Como vemos o plástico é ao mesmo tempo solução e problema para a sociedade moderna.

Um problema chamado plástico

O plástico é sem dúvida um dos maiores problemas, quando tratamos de materiais. Mas, vejo que precisamos mudar um pouco o foco e discutirmos não só o seu uso, mais também a forma como é feito o seu descarte.

Sugiro a você leitor, que observe, por exemplo, em sua residência como é tratado o plástico. Será que em 100% das vezes o descarte é feito de forma correta? Ou será que é feito misturado ao lixo orgânico, por exemplo.

Hoje, o plástico representa parcela considerável dos resíduos urbanos, popularmente chamados de lixo. E aí está o ponto sobre o qual deveríamos prestar maior atenção, pois uma parcela significativa (ou talvez a maior) a caba por ser descartada de forma inadequada indo parar em aterros ou, mesmo sendo proibido, em lixões, cuja a operação já deveria ter cessado a alguns anos, como previsto na PNRS – Política Nacional de Resíduos Sólidos. O resultado da falta de uma consciência sobre o impacto ambiental gerado por este tipo de material é visto na poluição de mares, rios e lagoas.

A destinação dos resíduos gerados ao longo da a cadeia de valor é um dos pontos, que necessita de muita atenção, por parte de todos os atores envolvidos, independentemente da posição ocupada, no ciclo produção-consumo.

Alternativa sustentável para o plástico

Pensar na eliminação do plástico a mim parece absurdo e fora da realidade, pois será necessário a substituí-lo por outro material, que poderá causar um impacto ambiental, tão grande quanto o causado, por ele. Um exemplo é o caso do canudo plástico, que muitos elegeram como substituto o canudo de aço, pelo simples fato deste ser reutilizável. Mas, será que a pegada ambiental do aço é menor que a do plástico? Estamos realmente diminuindo a pressão sobre o meio ambiente ao efetuarmos esta substituição?

O ponto que quero trazer para reflexão é exatamente, a importância que damos, em nossas discussões, a utilização de determinados materiais, elegendo vilões de primeira hora, como o plástico, deixando de lado questões como o consumo e a destinação, destes materiais.

Sobre o consumo, indico ao leitor o artigo “CONSUMO CONSCIENTE E A SUSTENTABILIDADE”, no qual abordamos a questão da forma como empresas e consumidores devem rever suas posições diante da utilização de produtos, matérias-primas etc.

A solução para o problema do plástico, como de outros materiais, está no reposicionamento da sociedade quanto ao seu uso (consumo), reuso e destinação final dos resíduos.

É preciso urgentemente repensar as três dimensões de forma a identificarmos a real necessidade de utilização do plástico, tanto no produto, como em embalagens, reduzindo a necessidade de produção desta matéria-prima.

A reutilização é outro elemento importante na construção de uma solução sustentável.

Mas, é fundamental que imediatamente adotemos formas de destinação, que eliminem a chegado dos plásticos aos aterros sanitários e lixões, como citado anteriormente.

 

Fonte:
  1. https://www.osaogoncalo.com.br/geral/59831/lei-proibe-sacolas-plasticas-em-comercios-do-rio-a-partir-do-dia-26.
  2. https://poliuretano.wordpress.com/2008/03/26/a-importancia-do-plastico-na-nossa-vida/
  3. http://www.recicloteca.org.br/material-reciclavel/plastico/.