As tragédias de Mariana e Brumadinho, cidades de Minas Gerais, ocorridas em 05 de novembro de 2015 e 25 de janeiro de 2019, respectivamente, deveriam ser um marco no pensamento sustentável brasileiro. Os dois eventos demonstraram como as ações empresariais podem impactar a sociedade, o meio ambiente e a economia.

Infelizmente, neste 05 de junho, em que comemoramos o Dia Mundial do Meio Ambiente, temos mais motivos de preocupação que de exaltação. Por isto, entendo como extremamente importante, aproveitarmos a data, para incrementar a discussão sobre que tipo de herança deixaremos para as próximas gerações, quanto as condições de vida, em nosso planeta.

Se queremos tornar a vida futura, no planeta terra, viável, urge que sejam tomadas ações imediatas, que impeçam a contínua degradação ambiental.

Na busca por modelos sustentáveis, um dos pontos, que vejo como de extrema importância, é a gestão de resíduos. Tanto pelo seu efeito nefasto em mares, rios e sobre a saúde pública, como pelo gasto de energia e contribuição para o efeito estufa, este é um dos temas que merecem, em minha opinião, maior atenção.

É preciso que a sociedade reveja o seu padrão de consumo, em toda a cadeia de valor, reordenando o uso de matérias-primas, embalagens, desenvolvimento de produtos, utilização de bens (eliminando o conceito de obsolescência programada), de forma a invertemos a curva de consumo de recursos naturais.

Como consumidores precisamos redefinir nossa relação com os produtos, atentando quanto ao processo de fabricação, possibilidade de reutilização de subprodutos (como embalagens, por exemplo), quantidade consumida e ponto de substituição. Ou seja, precisamos adotar um modelo de consumo consciente.

Empresas necessitam revisar suas cadeias de suprimentos, tornando-as “verdes”, através da busca constante da minimização do gasto energético e da maximização do reaproveitamento de resíduos gerados ao longo da cadeia, dentro do conceito de economia circular.

Exemplo disto é o projeto anunciado pela Coca-Cola Company, que pretende coletar e reciclar a totalidade de suas embalagens até 2030, em um esforço que envolverá todas as suas unidades no mundo. No centro da estratégia está uma revisão das embalagens, sob a óptica da economia circular.

A “nova visão” sobre embalagens da Coca-Cola está baseada nos seguintes pontos (1):

  1. Ampliar o uso de embalagens retornáveis no portfólio.
  2. Reduzir continuamente a quantidade de insumo necessário para produzir nossas embalagens, por meio de pesquisa e novas tecnologias.
  3. Aumentar o uso de matéria-prima reciclada nas embalagens produzidas.
  4. Contribuir com o progresso dos sistemas de logística reversa das embalagens descartáveis, por meio do desenvolvimento social e estrutural de cooperativas de catadores no Brasil.

O grupo têxtil MALWEE tem como principal meta de seu programa de sustentabilidade, a redução do consumo de água, utilizada em seus processos de produção. Na fabricação de jeans, por exemplo, a meta é reduzir de 100 litros para 200 mililitros, o gasto com água, por unidade fabricada (2)

Somente o Setor de eletroeletrônicos foi responsável, em 2018, pela geração 50 milhões de toneladas de lixo, em todo o mundo e a expectativa é de que até 2050, este volume mais que dobre, passando para 120 milhões de toneladas (3). Mais que um problema se trata de uma enorme oportunidade de desenvolvimento de novos negócios.

Como destaquei em oportunidades anteriores, como consultor e acadêmico, elegi o tema sustentabilidade como uma das prioridades, por acreditar que a solução para as ameaças que pairam sobre o nosso planeta passa pela ampla discussão e difusão do conhecimento sobre o assunto.

Renovo o convite a todos, neste dia dedicado ao meio ambiente, a refletir sobre o a degradação ambiental, que atinge o nosso planeta e de que forma cada um de nós, como profissional ou consumidor, pode contribuir para o início da inflexão da curva de deterioração do planeta.

 

 

Fonte:

  1. https://www.cocacolabrasil.com.br/historias/embalagens-como-repensa-las-sob-a-perspectiva-da-economia-circular. Acessado em 04/06/19.
  2. JEANS COM 99% MENOS ÁGUA. Revista Exame, São Paulo, ANO 53, n. 10, p. 18, maio. 2019.
  3. MINERADORES URBANOS. Revista Exame, São Paulo, ANO 53, n. 10, p. 56-58, maio. 2019.