Missão, valor e objetivo, são, normalmente, de conhecimento da grande maioria dos trabalhadores de uma empresa. Mas, se indagados sobre o propósito da organização, muito provavelmente, o resultado será diametralmente oposto.

Este cenário é fruto do modelo de formatação dos negócios, que tem o resultado financeiro, como principal (talvez único) propósito, das organizações.

Mas, isto começa a mudar. Forçadas pela mudança no mindset dos profissionais, que passaram a buscar no trabalho um sentido não somente financeiro, mas de realização pessoal, um número cada vez maior de empresas começa a enxergar a necessidade de definir um propósito diferente do ganho monetário, alinhado com as demandas de seus stakeholders (clientes, funcionários, acionistas e a sociedade em geral).

A visão das novas gerações

Segundo a ENDEVOR Brasil(2), “É consenso, entre antropólogos e outros especialistas, que as novas gerações se distinguem cada vez mais das anteriores por buscarem fazer aquilo que realmente gostam, a arriscar por aquilo que as move de fato – de acordo com a consagrada máxima de que “dinheiro é consequência”.

Para esta geração, já não faz sentido trabalhar em uma organização que não tenha um apelo claro e convincente sobre os motivos (além do ganho de dinheiro), por detrás das ações de cada empresa.

O que move uma parcela significativa dos trabalhadores atualmente, em todo o mundo, é a busca incessante por um propósito, conectado com suas crenças e visão de mundo.

A relevância sobre a existência de um propósito (não somente financeiro), aumenta com a percepção cada vez maior de que a rotina e os objetivos estabelecidos, no passado, fazem cada vez menos sentido, para uma parcela significativa da população.

É importante ressaltar que, as novas gerações, que são oriundas de um ambiente de alta disponibilidade de tecnologia, maior desenvolvimento e estabilidade da economia, dentre outros aspectos, possui preocupações diferentes de seus pais e avós, acarretando um comportamento totalmente diferente, como consumidores, que impacta modelos de negócios ou Setores da economia.

Mesmo no Brasil, com todos os problemas relativos ao desemprego, a visão sobre a importância de um outro motivo, além do salário, para se dedicar as suas atividades, vem crescendo, apesar de ainda estarmos abaixo da média mundial.

Negócio com propósito

Um dos temas mais debatidos, no encontro anual de 2018, da NRF – NATIONAL RETAIL FEDERATION, maior associação comercial do mundo, com sede nos EUA, foi o melhoramento contínuo da experiência de consumo, no ponto de venda.

Empresas de todos os tamanhos destacaram a importância do alinhamento de seus propósitos, com os esperados pelos consumidores, atribuindo alma ao negócio.

Uma das afirmações mais colocadas, pelos principais interlocutores, foi a certeza de que o consumidor somente enxerga que uma empresa possui um compromisso com algo mais que o resultado financeiro, se este estiver permeando todas as camadas da instituição.

Duas das maiores empresas de consultoria do mundo, em estudos recentes, demonstraram as percepções de empresas e principais executivos, sobre negócios com propósito. A Ernst & Young (EY), ter propósito será o diferencial, em um mundo cheio de incertezas. Em levantamento realizado com mais de dois mil líderes, em cerca de 42 países, a Empresa verificou que 44% percebem nas companhias em que trabalham, a busca de um propósito, colocado no mesmo patamar de missão e valores corporativos. Já DELOITTE, em levantamento realizado, para seu estudo sobre tendências, verificou que para 65% dos CEO entrevistados, tem como prioridade, o desenvolvimento de uma proposta de proposito social, no qual a companhia trabalha no atendimento das necessidades reais da sociedade (fonte: revista EXAME).

A sustentabilidade como propósito

A demanda por um propósito social é uma das variáveis com que empresas e gestores terão de conviver, pois prosperar estará, cada vez mais, associado a entrega de resultados sociais, além dos financeiros.

Dentre as demandas cujo atendimento será mandatório encontra-se a sustentabilidade. Empresas, que não apresentem uma visão sustentável em seu negócio terão muitas dificuldades em manter-se, em seus respectivos mercados, pois atributos funcionais de produtos e serviços, não serão suficientes para garantir o sucesso, em uma sociedade demandante de entregas que não afetem o meio ambiente e as pessoas. Ou seja, em seu processo decisório de compra, o consumidor, cada vez mais tenderá a escolher aqueles produtos que não tenham uma boa “pegada sustentável”.

A partir do amadurecimento do pensamento sustentável, cada empresa pode encontrar caminhos, para atendimento das expectativas do mercado consumidor. Vejamos alguns exemplos, de como algumas organizações estão tratando o tema:

A DANONE elaborou um projeto com base nos ODS – Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (Figura 1), em que cada unidade, espalhada por mais de 130 países, será convocada a desenvolver metas relacionadas com os ODS de impacto em sua Região e negócio, alinhadas com a meta geral de proteção e preservação da abundância da vida e recursos.

ODS

Figura 1: Objetivos do Desenvolvimento Sustentável

A AMANCO, fabricante de tubos e conexões, optou por trabalhar junto com sus cadeia de fornecedores, na substituição de matérias-primas menos poluentes ao meio ambiente e de menor impacto a saúde de seus trabalhadores. O resultado foi a substituição do solvente tolueno que, apesar de sua ampla utilização, em diversos Setores, é extremamente perigoso a saúde humana, podendo causar danos ao sistema nervoso. A empresa continua em sua “pegada sustentável”, tendo alterado a fórmula de outros de seus produtos, como os estabilizantes, que deixaram de levar chumbo em sua composição, eliminando riscos de intoxicação pelo metal entre seus funcionários(3).

A NATURA mantém um programa de capacitação de 400 famílias fornecedoras do óleo murumuru, utilizado na fabricação da linha EKOS, cuja a prática de extração usual, é baseada na prática de queimadas. Com o apoio da Empresa, esta prática foi eliminada, trazendo com resultado a preservação de mais de milhares de palmeiras das quais o óleo é extraído.

Fonte:
  1. A FORÇA DO PROPOSITO. Revista Exame, São Paulo, ANO 53, n. 08, p. 24-38, maio. 2019
  2. A PROPÓSITO: VOCÊ SABE AONDE QUER CHEGAR? Disponível em: https://endeavor.org.br/desenvolvimento-pessoal/proposito/. Acessado em 07/05/2019.
  3. http://exame.abril.com.br/negocios/as-20-empresas-modelo-em-responsabilidade-socioambiental/ . Acessado em 07/05/2019.