Sustentabilidade tornou-se, nos últimos tempos, objeto de discussão, nas mais diversas áreas, saindo do meio acadêmico e dos círculos técnicos, tendo, finalmente, chegado ao ecossistema empresarial.

Especialistas, como Julianna Antunes, já faz algum tempo, propagam os benefícios que a sustentabilidade corporativa pode trazer para os negócios, inclusive quanto ao retorno sobre o capital investido.

Apesar do avanço nas discussões, quando olhamos para o cenário no Brasil, percebemos que ainda persiste uma visão equivocada do que seja sustentabilidade de fato, reduzindo-a, como destaca Antunes(1), a: “gestão de projetos sociais/ambientais, comunicação da sustentabilidade, elaboração de relatórios, engajamento interno e coisas do tipo”. Mas, como esclarece a autora, sustentabilidade é mais que isto.

O Cenário atual

Após a COP-21, realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em Paris, assistimos a um crescente esforço internacional, no sentido de desenvolver estratégias, de combate ao aquecimento global, buscando eliminar (talvez reduzir fosse o verbo mais adequado) seus principais causadores, como, por exemplo, os gases gerados, pelo uso intensivo dos combustíveis fósseis.

Entretanto, quando olhamos para o cenário corporativo, percebemos as organizações com uma alta inércia na construção de um processo de sustentável, capaz de impactar o modelo de negócios, através de mudanças significativas, como a passagem da manufatura para a prestação de serviços, por exemplo. Ou seja, apesar de continuar fabricando bens, a organização terá seu foco concentrado ou seu core business na prestação de serviços, ao que muitos autores denominam de servitização da indústria.

Para que a sustentabilidade tome corpo dentro das organizações é fundamental que todos percebam que este é um tema de toda a companhia e não de um Departamento específico. É por isto, que muitos especialistas, como a acima citada, defendem que, face a característica de transversalidade da sustentabilidade, não deveria existir um único Setor responsável pela sua gestão, pois ela deve estar presente em todo as ações e processos da empresa.

Quais são as perspectivas?

Para mim a sustentabilidade irá avançar como uma das ferramentas principais para a gestão dos negócios, pois episódios como o ocorrido em Minas Gerais, não deixam dúvidas que as empresas não podem mais pensar na estratégia do negócio, sem considerar os impactos nos stakeholders e meio ambiente, sob pena de verem sua reputação e talvez a própria continuidade do negócio em cheque.

Mas, não há como pensar que possamos fazer isto, sem o devido retorno financeiro, pois é para isto que as empresas existem.

O envolvimento de todos as áreas, na construção de um modelo de negócio sustentável, que garanta o desenvolvimento mercadológico, com retorno financeiro, totalmente integrado com as demandas sociais e ambientais, é a única forma que enxergo de alcançarmos um patamar de desenvolvimento, sem que tenhamos que conviver com situações como a que estamos vivenciando no Brasil, diante da tragédia causada pelo rompimento da barragem de rejeitos da Vale.

Sustentabilidade e a área de compras

Ao pensar a sustentabilidade de forma estratégica, como foco de todas as áreas, percebemos que algumas possuem maior potencial para ajudar no desenvolvimento do processo sustentável.

Por mais de uma vez, ouvi dos responsáveis pela gestão da sustentabilidade, em companhias de grande porte, ser a área de compras uma das que possuem maior poder de impactar a construção do modelo de negócio sustentável, em suas organizações, por entenderem que não há como atingir tal objetivo, sem o envolvimento dos fornecedores. A área de compras, por ser gestora natural da cadeia de fornecimento, precisa assumir o papel de envolvimento dos fornecedores no processo.

O que um time de compras deve fazer para colocar a sustentabilidade, como base da estratégia de todas as ações desenvolvidas?

Sem a presunção de esgotar o tema, até porque, temos muito a aprender, vou me ater a pontos aos quais tenho dedicado minha pesquisa.

O primeiro ponto é a GESTÃO DE RESÍDUOS NA CADEIA DE VALOR,  que foi objeto de outro artigo, no qual destaco sua importância, uma vez que esta, “permeia todo o processo produtivo, desde de a geração das matérias-primas até o fim do ciclo de vida do produto, causando problemas de escassez ou esgotamento de recursos naturais e contribuindo significativamente, para o aumento da poluição e da degradação ambiental, principalmente em função do descarte inadequado de rejeitos, ao longo de toda a cadeia de valor”.

O outro ponto que destaco como fundamental é GESTÃO DE FORNECEDORES, de forma estruturada, baseada na parceria e no diálogo constante, pois não dá para pensar em um processo sustentável, sem garantir que toda a cadeia de fornecimento esteja alinhada, na busca constante do atingimento dos objetivos estratégicos da instituição.

Somente com uma base de fornecedores comprometida com a estratégia de sustentabilidade, a área de compras poderá ter foco no desenvolvimento de soluções de compras sustentáveis.

 

Fonte:
  1. https://www.linkedin.com/pulse/porque-o-business-usual-est%C3%A1-detonando-corporativa-julianna-antunes/.
  2. https://www.linkedin.com/pulse/qual-sustentabilidade-sua-empresa-pratica-julianna-antunes/?published=t