A geração de resíduos é um tema extremamente apaixonante, ao qual empresas e profissionais devem, dedicar atenção, em função dos desdobramentos que a sua existência causa a vida em nosso planeta.

A geração de resíduos permeia todo o processo produtivo, desde de a geração das matérias-primas até o fim do ciclo de vida do produto, causando problemas de escassez ou esgotamento de recursos naturais e contribuindo significativamente, para o aumento da poluição e da degradação ambiental, principalmente em função do descarte inadequado de rejeitos, ao longo de toda a cadeia de valor.

O impacto ambiental é enorme, conduzindo o mundo para uma catástrofe capaz, segundo muitos especialistas, de causar a extinção do planeta.

Os alertas estão bem claros. No período de 2012 a 2017 foi registrado um dos maiores períodos de seca. Mudanças climáticas radicais e com maior frequência têm causado enormes transtornos e prejuízos, por todo o planeta. Os problemas climáticos que enfrentamos, derivam de um modelo de consumo desconexo, das pessoas e das empresas.

No ambiente de negócios, urge a necessidade de uma forte mudança nos processos produtivos, trazendo a sustentabilidade para o centro da estratégia empresarial, na busca de modelos que possam alinhar a proteção do meio ambiente, o bem-estar da população e o crescimento econômico.

A CADEIA DE VALOR

Desde que o Prof. Michael Porter, em 1985, criou o conceito de cadeia de valor através da estruturação das atividades desenvolvidas pelas empresas, com o objetivo de garantir a máxima qualidade do serviço e produto ao cliente final, além de criar vantagem competitiva no mercado, vários modelos de negócios foram analisados, objetivando a identificação das etapas que realmente agregassem valor ao produto. Assim, aqueles processos que não agregam nenhum valor podem ser revistos, seja como alvo de reestruturação ou corte (evitando desperdício de dinheiro e tempo de produção) (2).

Na estruturação proposta pelo Professor, as atividades desenvolvidas pelas empresas são agrupadas, em dois grandes blocos: atividades primárias e secundárias (ou de apoio).

As atividades primárias, são as responsáveis pela criação e a transformação dos produtos e serviços, como a logística, as atividades relacionadas com a comercialização e a promoção do produto e o pós-venda.

Já a gestão de Recursos Humanos, o desenvolvimento tecnológico, infraestrutura da empresa, que apoiam direta ou indiretamente a execução das atividades primárias da empresa, formam as denominadas atividades secundárias.

GERAÇÃO DE RESÍDUOS

Para muitos líderes empresariais, a adoção de um modelo sustentável precisa estar na agenda da sociedade, pois trata-se de tema de interesse de todos, uma vez que, como acima descrito, trata-se da sobrevivência do planeta.

Vários são os temas a serem abordados, quando tratamos da sustentabilidade. Dentre estes está a geração de resíduos ao longo da cadeia de valor dos produtos.

Apesar de não poder ser apontado como única causa, o modelo de produção tradicional, é um dos principais causadores do problema.

O “modelo linear de produção, adotado desde dos primórdios da revolução industrial, é um dos alicerces da enorme geração de resíduos em nossa sociedade, pois o processo consiste na extração de matérias-primas, na produção de bens e no descarte das “sobras”. Este modelo causa problemas de escassez ou esgotamento de recursos naturais e contribui para o aumento da poluição e da degradação ambiental, principalmente em função do descarte inadequado de rejeitos”.

Ao efetuarem a gestão da cadeia de valor, as empresas sempre estiveram preocupadas com a geração de valor. Contudo, ao olharmos para o processo, com a visão da sustentabilidade, percebemos um aspecto extremamente importante, a ser gerenciado, que é a geração de resíduos ao longo da cadeia.

A geração de resíduos talvez seja um dos principais problemas da sociedade moderna. Somente no Brasil, mais de 30 milhões de toneladas de resíduos são destinados para os lixões, apesar da Política Nacional de Resíduos Sólidos, que é a lei que regulamenta o tema, ter previsto a eliminação destes até 2014, o que é claro não aconteceu. Esta quantidade de resíduos destinada aos lixões irá impactar a saúde, o meio ambiente e causar problemas sociais(3).

A geração de resíduos permeia toda a cadeia produtiva desde o fornecimento de matérias-primas até a entrega do produto final pelo consumidor, etapa na qual o mesmo passa a ser tratado como resíduo doméstico. Mas, que é na verdade parte do processo de geração de valor para o cliente final e, portanto, integram a cadeia de valor do produto.

O problema está no modelo de consumo adotado tanto individualmente, como pelas empresas, baseado na não percepção de que o planeta é um sistema finito, onde a capacidade de regeneração é limitada e possui um tempo definido.

GESTÃO DOS RESÍDUOS

Produtos e embalagens são as grandes fontes de geração de resíduos, na cadeia de valor, sendo sua eliminação o maior desafio da gestão empresarial, sendo, portanto, fundamental que as organizações revisem seus processos, abandonando o modelo do ciclo de consumo do “berço ao túmulo”, no qual ao final da cadeia de valor todos os resíduos são descartados. A contrapartida é a adoção do modelo denominado do “berço ao berço”, baseado na ideia central de que os recursos sejam geridos em uma lógica circular de criação e reutilização, em que cada passagem de ciclo se torna um novo ‘berço’ para determinado material.

A implantação do conceito de ECONOMIA CIRCULAR, é uma das ferramentas de maior potencial, na busca de processos sustentáveis, que eliminem a geração de resíduos ou que garantam a reciclagem de 100% daqueles cuja a eliminação seja técnica ou economicamente inviável.

Reduzir, reutilizar e reciclar são os mantras do processo de gestão dos resíduos e devem, obrigatoriamente, constar do planejamento estratégico das empresas, na busca pelo estabelecimento de um processo sustentável.

A empresa HP está buscando adequar seu processo produtivo aos conceitos da economia circular, possuindo a meta de atingir 100% de uso de materiais reciclados e renováveis nos produtos. “A companhia está avançando com o tema no Brasil, onde possui uma operação integrada com os fornecedores Flextronics e Sinctronics, em Sorocaba (interior de São Paulo), que permite à empresa reinserir em seu processo produtivo o plástico que já fez parte de cartuchos e impressoras, disse a Diretora Global de Sustentabilidade, durante o TERCEIRO FÓRUM DE ECONOMIA LIMPA”(4).

A fabricante EMBRACO é outro exemplo de avanço na gestão de resíduos, através de seu programa de economia circular, responsável pelo atingimento da marca de 87% de reciclagem dos resíduos gerados em suas plantas localizadas no Brasil, Eslováquia, China, México, Itália e Estados Unidos. O programa recicla e organiza o reuso e a reindustrialização de materiais da empresa, necessários a diferentes linhas de produção, mas também extrapola as fronteiras da companhia atendendo a outras indústrias por meio de consultorias que avaliam a natureza do resíduo e apontam a melhor gestão para o descarte(5).

A importância do tema tornará mandatório que as empresas estabeleçam processos de logística reversa, para captação produtos e subprodutos, ao longo da cadeia. Em alguns Estados, esta passa a ser uma obrigação legal. É o caso do Rio de Janeiro, onde foi promulgada, no último dia 05/11, a Lei 8151/2018, que determina que empresas que produzam, importam ou comercializem embalagens ou produtos embalados serão obrigados a financiar o sistema de logística reversa de embalagens e seus resíduos.

“A nova lei assegura a obrigatoriedade de instalação de pontos de coleta seletiva destinados ao recebimento, controle e armazenamento temporário dos resíduos entregues pelos consumidores, até que esses materiais sejam transportados para o seu beneficiamento, reciclagem ou destinação final ambientalmente adequada”(6).

Fontes:

  1. RESUMO FÓRUM SUSTENTÁVEL 2018. Disponível em: http://cebds.org/publicacoes/resumo-final-sustentavel-2018/. Acessado em 20/11/2018.
  2. SIGNIFICADO DE CADEIA DE VALOR. Disponível em: https://www.significados.com.br/cadeia-de-valor/. Acessado em 20/11/2018.
  3. PARA ONDE VAI O SEU LIXO. Disponível em:. https://www.youtube.com/watch?v=KRyk6PiPGms. Acessado em 20/11/2018.
  4. TERCEIRO FÓRUM DE ECONOMIA LIMPA. Disponivel em: https://www1.folha.uol.com.br/especial/2018/economia-limpa3/. Acessado em 20/11/2018.
  5. COM APOIO DA ECONOMIA CIRCULAR, EMBRACO RECICLA 87% DOS RESÍDUOS. Disponível em: http://rmai.com.br/com-apoio-da-economia-circular-embraco-recicla-87-de-seus-residuos/. Acessado em 20/11/2018.
  6. AGORA É LEI: coleta seletiva precisa avançar 10% a cada dois anos. Disponível em: https://www.saneamentobasico.com.br/coleta-seletiva-avancar-10-ano/amp/. Acessado em 20/11/2018.