A discussão sobre o tema sustentabilidade tem crescido ao longo dos últimos anos. Eventos, como o desastre ocorrido na cidade de Mariana/MG, onde o rompimento da barragem de rejeitos da empresa de mineração SAMARCO, que dizimou parte do município e causou danos ambientais de difícil e custosa reparação, aumentaram a amplitude da discussão sobre a sustentabilidade, tema até bem pouco tempo restrito aos círculos acadêmicos e ao Terceiro Setor.

O evento de Mariana demonstra a urgência de repensarmos os modelos empresariais, alinhando o sucesso do negócio com o desenvolvimento econômico, sem danos ao meio ambiente e com estabilidade social.

No âmbito empresarial, urge que sejam repensados os modelos de produção, que causam problemas de escassez ou esgotamento de recursos naturais e contribuem para o aumento da poluição e da degradação ambiental, principalmente em função do descarte inadequado de rejeitos.

Na área de suprimentos, a grande mudança será a busca pela eliminação de resíduos ao longo de toda a cadeia, com a implementação do conceito de “Cadeias de Suprimentos Sustentáveis”

Em um cenário de economia sustentável, a estratégia de compras das empresas precisa incorporar o drive dos resíduos, objetivando a eliminação da geração destes ao longo de toda a cadeia de valor do produto ou, no mínimo, garantir que todos os resíduos gerados em cada etapa do processo sejam redirecionados para o próprio ou outros processos produtivos, eliminando a necessidade de descarte de resíduos.

As decisões de compra de uma organização não só afetam a própria organização, mas também a economia, o meio ambiente e a sociedade.

Então, o mundo não seria um lugar melhor se elas fossem feitas de forma sustentável?(iso.org)

Segundo a ISO – International Organization for Standardization, todas as ações de compras, ou seja, o que ela compra e com quem ela transaciona, além do uso efetivo de bens e serviços adquiridos, influenciam de forma significativa “desde o desempenho e bem estar dos funcionários até a reputação e relação com as partes interessadas”.

O alinhamento dos processos de compras, com o pensamento sustentável, cuja base é o equilíbrio do triple bottom line: financeiro, social e ambiental, gera uma nova cultura para a área de compras, na qual a sustentabilidade passa a embasar todo o processo decisório da aquisição de bens e serviços. A este processo denominamos “Compra Sustentável”.

No processo de compra sustentável a tomada de decisão leva em consideração as necessidades e os objetivos das organizações, alinhando-os com os benefícios ao meio ambiente e a sociedade.

O tema está normatizado internacionalmente, através da Norma ISO 20400, que objetiva ajudar as organizações a desenvolver e implementar práticas e políticas de compras sustentáveis, fornecendo diretrizes para gerenciamento sustentável do processo de aquisição de materiais e serviços, definindo as bases do processo como: responsabilidade, transparência, respeito pelos direitos humanos e comportamento ético.

A importância das compras sustentáveis para as organizações tende a crescer e por isto os profissionais da área devem aprofundar seus conhecimentos no assunto, de forma a garantir a sua inserção na governança corporativa das empresas.

Fontes:

  1. iso.org
  2. ABNT NBR ISO 20400: 2017. Disponível em: https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=382915&ut. Acessado em 23/05/2018.

 

Originalmente publicado em: http://cbec.org.br/wp-content/uploads/2018/07/Revista-CBEC-julho18.pdf.