Uma preocupação que sempre rondou a minha cabeça, desde que assumi minha primeira posição como gestor de suprimentos foi com o relacionamento das empresas com sua cadeia de fornecedores.

Como descrito por Amaral(1), as empresas, tradicionalmente, direcionam seus esforços para a gestão de seus times, mas pouca atenção dedicam a gestão dos fornecedores de bens e serviços, chegando ao cúmulo de uma empresa fornecedora passar todo um ciclo de fornecimento, sem se quer entender a aplicação do produto fornecido, no processo de negócio da contratante. Não raro, muitos líderes entendem que programas de gestão de fornecedores é uma perda de tempo ou custo desnecessário, pois cabe ao fornecedor executar aquilo que lhe é determinado.

Esta é uma visão que urge ser revista pelos times de suprimentos, tendo em vista que estamos vivenciando mudanças, que irão impactar os modelos de negócios futuramente.

A sociedade em transformação

Nos artigos o profissional da era 4.0 e os desafios da sociedade 4.0, avaliamos como e as mudanças tecnológicas irão impactar toda a sociedade, que passará por uma transformação, originando mudanças na forma como nos relacionamos, divertimos e trabalhamos. Tornando-se extremamente importante que a discussão seja levada para as diversas áreas do negócio, em cada empresa.

Nesta nova sociedade, que terá como característica principal a disrupção, as mudanças atingirão, de forma e intensidade diferentes, os mais diversos setores e a área de suprimentos não ficará a margem deste processo de transformação, necessitando rever práticas e processos, de forma a garantir que sobrevivência dos negócios das corporações.

Trabalho colaborativo será uma tendência

Vislumbrarmos um futuro no qual o trabalho colaborativo será uma tônica, onde a expertise da gestão de equipes formadas por pessoas de diversas regiões, compostas de profissionais conhecimentos de diversa culturas, idiomas, religiões, que agreguem o conhecimento necessário, será cada vez mais um requisito ou característica determinante para o sucesso empresarial.

Cabe aí um questionamento: como agregar conhecimento, diversidade e competências em áreas diversas, a um custo compatível, com um cenário econômico restritivo, onde a concorrência aumenta de forma vertiginosa, apoiada na globalização e na disseminação do uso de tecnologias de ponta, cada vez mais acessíveis, tal quais a inteligência artificial e a computação em nuvem, que farão do trabalho remoto e a distância, uma ferramenta de altíssimo potencial de utilização para as empresas. Certamente, a incorporação destas habilidades, muitas ainda não bem claras para nós, pelas instituições terá um custo muito elevado, além de um tempo de maturação grande.

A saída passa pela obtenção de expertise e habilidades externamente, trabalhando de forma colaborativa, com outras organizações, principalmente com a rede de fornecedores.

A relação com os fornecedores

Em minhas aulas, sobre o tema, costumo fazer uma enquete com os participantes sobre o estágio da relação de suas empresas com os fornecedores. Em grande parte destas conversas, o relato é de que muito pouco esforço é desprendido pelas organizações na gestão de fornecedores, sendo que a maioria não possui se que um planejamento estruturado que alinhe ações como:

  1. O desenvolvimento de um novo fornecedor;
  2. A política de avaliação de desempenho da rede de fornecimento;
  3. Canais de comunicação com os fornecedores;
  4. Participação do fornecedor no desenvolvimento de produtos e soluções.

Isto é extremamente preocupante, principalmente, considerando que algumas atividades empresariais possuem um percentual de fornecimento externo de materiais e serviços, que passa dos 50%.

Tal postura torna-se extremamente preocupante ao vislumbrarmos o modelo de negócios, que deverá ser cada vez mais colaborativo, exigindo das empresas uma forte competência em trabalhar em rede, onde uma delas, fará o papel de hub, para concentrar os esforços das demais, que dividirão suas expertises, em prol da obtenção da otimização dos resultados e da performance do conjunto.

A gestão da rede de fornecedores é uma ferramenta que se utilizada de forma adequada poderá resultar em significativa melhora do desempenho e da imagem da empresa.

Um programa de gestão de fornecedores bem estruturado deve ter como alicerce:

  1. O perfeito entendimento das características do mercado e da cadeia de valor em que a empresa atua;
  2. O conhecimento dos pontos forte e gaps da rede de fornecedores;
  3. As características do fornecimento;
  4. O uso de ferramentas de gestão e controle (gestão de categorias, indicadores de performance, gestão de risco etc);
  5. A formulação de acordos de fornecimento, que expressem as responsabilidades das partes.

Uma importante missão dos responsáveis pelo desenvolvimento e gestão de fornecedores é a mitigação dos riscos, que podem ser de natureza estratégica, financeira, tecnológica, operacional, legal e ambiental, uma vez que ao trazermos outras empresas para o convívio estreito do dia a dia de nossa organização, existe um potencial risco de contaminação por condutas não condizentes com os valores internos da contratante, da sociedade e legais.

 

Fontes:
 (1) AMARAL, Raphael. A GESTÃO DE FORNECEDORES E PORQUE ESSA COMPETÊNCIA É MAIS IMPORTANTE DO QUE NUNCA. Disponível em: https://www.linkedin.com/pulse/gest%C3%A3o-de-fornecedores-e-porque-essa-compet%C3%AAncia-%C3%A9-mais-amaral/ . Acessado em: 02/06/18.