A muito ouvimos falar sobre poluição e seus efeitos na vida do planeta. Não é um assunto novo para ninguém. Nos mais diversos círculos o assunto é objeto de discussão e análise. Todos nós de alguma forma já tivemos oportunidade de minimamente conhecer o problema.

Dentre as principais causas da poluição encontra-se as emissões atmosféricas. Que são responsáveis por parcela significativa do chamado “efeito estufa”(i), cujo a consequência de maior percepção para a população é o aumento da temperatura do planeta, causador das mudanças climáticas, que temos observado ao longo das últimas décadas.

Segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde(1), a poluição do ar pode ser classificada como “a contaminação dos ambientes internos ou externos por qualquer composto químico, físico ou agente biológico que modifique as características naturais da atmosfera”.

Diversas são as fontes de emissão de gases poluentes. Neste artigo dedicaremos atenção a análise das fontes antropogênicas, que resultam da ação humana e, muito particularmente, nas emissões oriundas dos escapamentos dos automóveis.

O BRASIL RODOVIÁRIO(2)

O Brasil fez uma opção estratégica pela rodovia, desde a década de 50, no Governo Juscelino Kubitschek (JK) (1956 – 1961), que considerou a indústria automobilística como prioritária, sendo exceção no “Plano de Metas”, daquele período. Nesta época foi criado o GEIA – Grupo Executivo da Indústria Automobilística.

A opção pelo sistema rodoviário, no Governo JK, pode ser avaliada por alguns aspectos:

1.     O sistema de transporte por rodovia consolidou-se e os caminhões passaram a responder pela maior parte da movimentação das cargas no país;

2.     O automóvel ganha símbolo de status social;

3.     Definição de metas para a redução das importações de veículos;

4.     Aumento do índice de nacionalização.

A política adotada teve como consequência o início da formação da indústria automobilística brasileira, marcada pela instalação do primeiro fabricante, a Volkswagen, que teve forte apoio do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

A produção brasileira de veículos cresceu 50% no período de 2000 a 2015, tendo atingido a marca de 2,4 milhões de unidades, em 2015.

VEÍCULOS AUTO MOTORES E A POLUIÇÃO

Os veículos automotores representam um dos maiores perigos, em se tratando de poluição atmosférica, em virtude da eliminação dos materiais resultantes do processo de queima, com destaque para o monóxido de dióxido de carbono (CO2), hidrocarbonetos (HC) e dióxido de enxofre (SO2). As emissões de CO2 estão diretamente ligadas ao efeito estufa, enquanto outras partículas lançadas na atmosfera, são causadoras de problemas de saúde.

O dano causado a saúde pelos gases oriundos da queima de combustíveis fósseis é tão importante que a Agência Internacional de Pesquisas sobre o Câncer, órgão ligado a OMS, divulgou um relatório, em 2013 classificando-o como cancerígeno(3). Os responsáveis pelo estudo afirmaram que os dados colhidos não deixam dúvidas quanto a relação da poluição causada pelos veículos e o câncer de pulmão. Segundo Kurt Straif, chefe da seção de monografias da IARC: “O ar que respiramos tem sido contaminado por uma mistura de substâncias que provoca câncer. Agora sabemos que a contaminação do ar exterior não apenas é um risco maior para a saúde em geral, mas também uma causa ambiental de mortes por câncer”.

Estima-se que o número de mortes causadas pela poluição do ar chegue a 5,5 milhões de pessoas por ano, em todo o mundo. Estudos realizados por institutos americanos de pesquisa sanitária, demonstram que a China e a Índia respondem juntas por cerca de 50% destas mortes. A concentração de partículas em suspensão nas grandes cidades dos dois países está acima do limite recomendado para a saúde, na maior parte do tempo.

A China vem conseguindo obter algum sucesso na implementação de programas com objetivo de diminuir a poluição atmosférica, tendo conseguido estabilizar o número de mortes anuais, desde de 2005. Mas, na Índia o problema continua se agravando.

Se olharmos os demais países veremos que a situação está longe de uma solução. São estimados cerca de 1 bilhão de veículos no mundo. No Brasil, o número já ultrapassa 45 milhões, segundo dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(4).

Cidades como São Paulo podem ter mais de 95% da poluição atmosférica causada por carros, motos e caminhões.

USO DE COMBUSTÍVEIS ALTERNATIVOS

Os números disponíveis sobre o impacto do uso de combustíveis fósseis no meio ambiente são alarmantes e nos fazem imaginar o tamanho do desafio que temos na busca por soluções viáveis técnica e economicamente.

O controle das emissões de poluentes, nos carros a gasolina, ao que tudo indica começa a ter uma solução satisfatória, com à utilização de catalisadores. Veículos equipados com este tipo de equipamento chegam a emitir dez vezes menos gases nocivos. Normas adotadas em todo mundo, como a Euro 5(ii) propiciarão uma baixa nas emissões.

No caso do diesel, a solução é mais complexa.

Um caminho importante na busca de soluções ambientalmente adequadas passa pela substituição dos combustíveis fósseis, pelos denominados de alternativos, que conseguem diminuir os impactos ambientais causados pelos pelo uso dos primeiros. Estes combustíveis, em que pese ainda não terem atingido o ponto de viabilidade técnico-econômico, demonstram grande potencial para que possam ter um modelo de negócios viável e venham a tornar-se realidade, em futuro muito próximo.

Nesta categoria destacam-se:

  1. Etanol
  2. Biodiesel
  3. Eletricidade
  4. Hidrogênio

Os dois primeiros combustíveis da listagem acima são produzidos a partir de elementos orgânicos e estão em estágio avançado de produção, apresentando-se com alternativas viáveis a substituição dos combustíveis fósseis, tanto do ponto de vista técnico, como do econômico. O etanol é um combustível produzido a partir da fermentação de açucares. No Brasil, é produzido à partir da cana de açúcar e reduz em cerca de 89% a emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa. Já o biodiesel obtido a partir de óleos vegetais principalmente de girassol e de colza(5).

O desenvolvimento do uso da eletricidade e do hidrogênio está em um estágio mais atrasado e requerem mais tempo de estudo e aplicação, principalmente quanto a fonte de energia elétrica a ser adotada, pois de nada adiantará se na geração não forem utilizadas energias renováveis, como por exemplo a eólica e a solar. O uso da energia elétrica apresenta maiores condições de utilização no médio prazo.

REDUÇÃO DO CONSUMO DE COMBUSTÍVEL

A redução do consumo de combustível e da emissão de gases poluentes deve ser tratada com prioridade por todos. A economia de combustível pode ser a chave para reduzir os custos do seu negócio.

O consumo excessivo de combustível pode representar um dos maiores custos de uma frota. Estabelecer critérios e programas de controle é extremamente importante para sustentabilidade do negócio.

Algumas ações muito simples podem contribuir para a melhoria do consumo de combustível de uma frota. Dentre as mais usuais destacam-se:

  1. O treinamento da equipe de condutores;
  2. Estabelecimento de um plano de manutenção preventiva;
  3. Utilização de softwares de gestão da frota e roteirização.

Economias são sempre bem-vindas, desde que não afetem a produtividade da empresa ou a qualidade do serviço prestado.

Uma alternativa enquanto projetos de desenvolvimento de combustíveis alternativos, tecnologias de motores híbridos ou de políticas de transporte público atinjam a maturidade técnica e econômica, é a busca por soluções que atinjam este objetivo sem exigir grandes mudanças nos hábitos do condutor e que possuam custo de implantação economicamente viável, como por exemplo os sistemas que utilizam moléculas de hidrogênio no processo de combustão, fazendo com que haja uma queima mais limpa e a maximização do potencial energético do combustível, tendo como resultado final a diminuição do consumo e da emissão de partículas poluentes.

 

Nota do autor:

(i) O efeito estufa é um processo físico que ocorre quando uma parte da radiação infravermelha (percebida como calor) é emitida pela superfície terrestre e absorvida por determinado gases presentes na atmosfera. Como consequência disso, parte do calor é irradiado de volta para a superfície, não sendo libertado para o espaço (Fonte: wikipedia.org/wiki/Efeito_estufa).

(ii) EURO 5 é o padrão europeu de emissõesque disciplina as emissões de veículos novos comercializados na União Europeia e adotada no Brasil.

Fontes:

  1. O QUE SÃO EMISSÕES ATMOSFÉRICAS? CONHEÇA TIPOS, POLUENTES E MODOS DE NEUTRALIZÁ-LAS. Disponível em: com.br/component/content/article/63/3041-o-que-sao-emissoes-atmosfericas-conheca-tipos-poluentes-e-modos-de-neutralizar-tipos-fontes-naturais-antropogenicas-moveis-estacionarias-difusas-pontuais-aquecimento-global-dioxido-carbono-metano-ozonio-cfc-inventarios-protocolo-convencao-neutralizacao.html. Acessado em: 24/02/2017.
  2. BRAGA, Mauro. PAINEL SETORIAL AUTOMOTIVO. Aula curso preparatório concurso BNDES/Engenharia. DSc Cursos. 2017.
  3. OMS CLASSIFICA POLUIÇÃO DO AR CAUSADA PELOS CARROS COMO CANCERÍGENA. Disponível em: http://viatrolebus.com.br/2013/10/oms-classifica-poluicao-do-ar-causada-pelos-carros-como-cancerigena/. Acessado em: 24/02/2017.
  4. http://cidades.ibge.gov.br/painel/frota.php. Acessado em: 24/02/2017.
  5. VOCÊ CONHECE OS COMBUSTÍVEIS ALTERNATIVOS? Disponível em: http://blog.suhaiseguradora.com/voce-conhece-combustiveis-alternativos. Acessado em: 24/02/2017.
  6. Fotos:

Ônibus polui (Fonte: flickr.com/photos/cbnsp/8284918369)