O agronegócio brasileiro, continua com seu desempenho positivo e tem liderado, nos últimos meses, as poucas notícias positivas em relação a economia. Os agentes da cadeia produtiva trabalham com a expectativa de mais uma quebra de recorde na safra atual, que seria a sétima consecutiva. O crescimento verificado pelo segmento, nos últimos anos, foi alicerçado em dois vetores:

  1. O aumento da produtividade, que faz com que se produza mais por área plantada;
  2. A expansão da matriz de produção, com a incorporação de novos polos de plantio.

O mais recente exemplo de mudança na matriz de produção de grãos no Brasil é o desenvolvimento, no Estado de Sergipe, de um novo polo de plantio de grãos. Estudos da EMBRAPA foram responsáveis pelo desenvolvimento de novos insumos e de uma cadeia de fornecimento, a partir da atração para a Região de fornecedores de máquinas e de insumos.

Quando analisamos a produção acadêmica e as linhas de pesquisas adotadas em muitas instituições de ensino, percebemos que existe um distanciamento entre esta e os agentes produtivos e que exemplos, como o acima citado, ainda são a exceção. Isto me leva a pensar no papel da Academia no desenvolvimento econômico das nações.

Se observarmos o que acontece no mundo desenvolvido, veremos que as instituições acadêmicas possuem um forte direcionamento para a denominada pesquisa aplicada, colocando boa parte de seus recursos (humanos e financeiros) à disposição de projetos com forte ligação com a comunidade empresarial, desenvolvendo soluções que atendam a demandas existentes ou que estejam por vir.

No Brasil, diferentemente, muitas ações de pesquisa são realizadas de forma desconexa com as necessidades da sociedade, produzindo “papel”, como alguns acadêmicos definem.

Certamente, não se trata de um problema de falta capacidade, pois inúmeros são os exemplos da excelência de uma boa parcela de nossas instituições de ensino, mas sim de uma questão de direcionamento estratégico da área acadêmica brasileira, que sempre se posicionou como sendo formuladora de pensamentos.

Não tenho dúvida de que deveríamos aproveitar o atual momento do País, em que tantas coisas estão sendo questionadas, para rediscutirmos o papel das UNIVERSIDADES na sociedade brasileira, acrescentado a elas a função de vetor indutor do crescimento econômico, através de um pensamento de empreendedorismo, voltado para o mercado.

Para as instituições públicas, este novo posicionamento de mercado propiciará o acesso a novas fontes de fomento e possibilitará a diminuição da dependência do Tesouro Nacional, criando as condições para que estas alcancem a autonomia administrativa, no médio prazo.

É fácil imaginar o nível de desenvolvimento que o Brasil poderia alcançar, caso as nossas universidades desenvolvessem linhas de pesquisas direcionadas aà busca de soluções de melhoria dos negócios (via aumento da produtividade, por exemplo), criação de novos produtos etc.

Exemplos como o da EMBRAPA e do agronegócio poderiam se multiplicar.